Uma viagem de autoconhecimento

Desde que comecei a viajar, muita coisa mudou na minha vida. Não me refiro apenas ao exterior como estilo de vida e os lugares por onde passo, mas também no meu interior.

Me tornei muito mais tolerante a muitas coisas. Quantas vezes me irritava com pequenas coisas ou atitudes que não me agradavam, que não tinham motivo algum para me irritar mas que com o tempo ia me deixando amargo e rancoroso. E com o passar do tempo ficava insensível às pessoas e até agressivo, até perdendo o respeito e o amor ao próximo. Ao lidar com diferentes pessoas ou situações, fui analisando minhas atitudes e vendo como eu havia me tornado amargurado e impaciente. E percebi que gritar ou desrespeitar alguém não iria fazê-las mudar de atitude e muito menos iria fazer passar minha intolerância.

Me tornei mais humilde e bondoso. Quando saí da faculdade e fui procurar trabalho, ao ouvir as propostas, pensava comigo mesmo, “esse salário não me é digno, não vou trabalhar tanto para receber tão pouco, não estudei tanto para ter um salário desse!”. Ou às vezes alguém me dizia algo ou me dava algum conselho e eu pensava “não sou obrigado a ouvir isso, quem ele(a) é pra dizer isso à mim!”. Mas ao me sujeitar a trabalhar de voluntário e fazer diversas tarefas, ou se oferecendo a ajudar a algumas pessoas aprendi que não somos ninguém para nos colocar acima dos outros, ser mais tolerante e que todos somos iguais indiferente de posição social. Convivi com diversos tipos de pessoas, de diversos lugares, costumes e personalidades, e aprendi a respeitar mais as diferenças e não tentar mudar ninguém, e sim, tentar compreender porque elas são dessa forma.

Me tornei mais observador. No dia a dia, muitas vezes não me sobrava tempo para observar as pequenas coisas maravilhosas que nos cerca. O céu azul e ensolarado ao amanhecer quando vamos ao trabalho, ou a lua ao anoitecer. A nossa saúde, ou a família que temos. Quantas vezes alguém me fazia algum favor ou gentileza e nem sequer ao menos eu agradecia. Depois que comecei a viajar, me pegava admirando o mar, com os olhos fechados sentado na areia e sentindo a areia por entre os dedos, ouvindo as ondas quebrando e sentindo a brisa da maresia. Ou deitado sentindo o sol aquecendo a pele, só aproveitando cada segundo de vida. Agradeço à Deus todos os dias por tudo que ele criou e pela minha família e saúde que tenho.

Me tornei menos estressado. Antes achava que tudo iria ser pura aventura, emoção e adrenalina, mas percebi que o que mais faz diferença são os detalhes. Claro que tive momentos de aventura, de emoção, adrenalina, mas aprendi que se fizermos tudo com calma e termos paciência, as coisas fluem melhor e com mais prazer. Mesmo que as coisas não saem como o planejado, desespero, preocupação e angústia não farão as coisas melhores. É necessário tranquilidade e pensamento positivo.

Me tornei mais conhecedor de mim mesmo. Quantas vezes me senti só, mesmo estando ao redor de várias pessoas. Minhas atitudes eram como o mar que eu navegava e não tinha poder algum sobre meus sentimentos. Me sentia angustiado ao ficar só, e pensava que não conseguiria fazer tudo sozinho, ou que precisava de alguém pra viajar. Mas ao viajar durante um tempo sozinho, aprendi a conviver comigo mesmo. Isso me elucidou a mente e me fez compreender que a felicidade não está na companhia de alguém, mas em si mesmo e na forma como observamos a vida. Que solidão é parte do processo de autoconhecimento, olhar para dentro e ver o que é necessário melhorar e que nossas atitudes podem ser moldadas e nossos sentimentos controlados.

Desde que comecei meu mochilão aprendi muito e mudei bastante. Eu sabia que ao sair de casa seria uma viagem de conhecimento e descobrimento, mas muito mais interno do que externo, onde muito se sente e pouco se conhece.

Agora, mais que antes, me tornei uma pessoa melhor, e a cada dia estou mais equilibrado e sensato. Tenho muito que melhorar ainda, pois o aprendizado nunca acaba. Mas conhecer a vida e a si mesmo é um dom que todos podemos conquistar com força de vontade e atitude. E viajar é uma experiência que todos deveriam fazer mais. Viajar não traz apenas liberdade, mas aprendizado em todos os sentidos! Comecei há um ano e sete meses, e agora não quero mais parar!

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3 comentários em “Uma viagem de autoconhecimento

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  1. Sei que isso é só o começo de muitas viagens que virão e aprendizado. Isso ninguém tira de você. Parabéns pelo estilo de vida escolhido e que o transformará sempre em uma pessoa cada dia melhor. Aliás: já es um grande homem.

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